Cadastro Positivo será suficiente para reduzir o spread bancário?



Estudos do Banco Mundial apontam que cerca de 70% dos birôs de crédito do mundo fornecem informações tanto negativas quanto positivas – como será possível fazer aqui no Brasil agora que o Cadastro Positivo foi sancionado. As novas regras permitirão a inclusão compulsória ao cadastro para todos os consumidores e empresas.


Segundo simulações apresentadas no Credit Reporting do Banco Mundial, a inadimplência do crédito cairia de 3,37%, sobre empréstimos concedidos com base apenas informações negativas, para 1,84% de inadimplência para informações negativas e positivas, ou seja, uma redução de 1,53 ponto percentual.


Embora muito relevante e positiva para a expansão segura do crédito, a aprovação das novas regras não constitui uma garantia automática de queda dos juros. Seu uso vai surtir um efeito benéfico somente se o sistema bancário o empregar e usar da forma apropriada, o que dependerá da estratégia e da capacidade de adaptação/inovação das instituições financeiras no sentido de utilizar a ferramenta para derrubar o spread bancário. Para tanto, as ofertas terão que ser individualizadas; as instituições teriam de adequar suas ofertas ao perfil de cada um dos consumidores.


Essa mudança representará um desafio para as instituições mais tradicionais. É daí que surgem as dúvidas se o resultado será realmente a queda do spread bancário, pois embora o sistema financeiro já disponha de várias ferramentas para identificar o perfil do tomador de crédito, essas soluções não são utilizadas, hoje, visando a redução da taxa de juros. Na prática, têm sido usadas tão somente para garantir a concessão de crédito, o que acaba levando o bom pagador para a vala comum no que se refere aos juros.


Novas tecnologias, como Big Data e Inteligência Artificial também servem para inserir milhões de pessoas no mercado de crédito, com a segurança derivada da identificação de milhares de variáveis, que apontam tendências, hábitos e preferências. É imprescindível que as empresas continuem ampliando seus investimentos em análise de dados.


O Cadastro Positivo acabará por resultar em redução do spread, somente no caso das instituições que se adaptarem ou aquelas que já nascerem nesta nova realidade como as fintechs de crédito por exemplo. Elas podem capitanear esse movimento oferecendo uma análise de crédito mais completa e, dessa forma, capacitando-se a trabalhar com juros variáveis, personalizados, em vez das taxas homogêneas geralmente definidas por tipo de empréstimo ou linha de crédito que o sistema bancário vem praticando há centenas de anos.


Por Domingos Monteiro, CEO da Neurotech, pioneira em Inteligência Artificial no país