Curiosidade e paciência. Como desenvolver o seu mindset exponencial?


Não é algo trivial, porém, totalmente possível. Passo número 1 observar os seus pensamentos. Na neurociência este procedimento se chama metacognição. Perceber como penso. Para evitar que seu piloto automático comande a sua vida. É preciso aumentar a consciência dos seus pensamentos. Além disso, é preciso Persistência!!! Afinal, todo o processo de mudança vai brigar com o status quo, que segundo o Dr Bruce Lipton MD, está presente em mais de 90% dos nossos pensamentos diários.


Criar novos caminhos neurais é a capacidade humana de se adaptar. É um processo denominado de neuroplasticidade. O adulto, diferentemente do jovem até seus 25 anos, tem mais dificuldade para criar novos caminhos neurais. Depois desta idade, segundo o neurocientista Andrew Huberman, diretor do laboratório de neurobiologia da Escola de Medicina de Standford, o adulto irá precisar de um nível maior de ATENÇÃO. Atenção para o cérebro é um sistema neural que é acionado quando focamos em algum tema, assunto, objeto e produzimos um neuro-modulador chamado acetilcolina. Acetilcolina, juntamente com adrenalina – que gera o alerta para a atenção – e a dopamina que é o neurotransmissor da recompensa, motivação e do processo de aprender, sinalizam para o nosso cérebro que precisamos TER ATENÇÃO para aprender.


Além do FOCO ou ATENÇÃO outros comportamentos são necessários. Mesmo porque, estes comportamentos são consequência da atenção. Em um post anterior, mencionei 6 mindsets essenciais de líderes inovadores do século XXI. Estes comportamentos fazem parte de uma pesquisa realizada por Charles Conn and Robert McLean e publicada na newsletter da McKinsey. Um dos comportamentos é a curiosidade. Que continua sendo um dos comportamentos essenciais para ser INOVADOR.


Ser curioso

Quando enfrentar uma situação de incerteza, resgate a criança de quatro anos de idade que um dia morou dentro de você. Pergunte implacavelmente: O que é isto? Como posso usar este conhecimento? Será que irá afetar o meu negócio? Será que irá mudar o comportamento do consumidor? Como isto irá impactar a minha vida?….Infelizmente, em algum lugar entre a pré-escola e a sala de reuniões, paramos de perguntar. Afinal, perguntar leva para o estereótipo do CHATO. Será mesmo?


Este é um dos grandes desafios na busca de novas soluções. Temos inúmeros vieses cognitivos que limitam as nossas escolhas. Como por exemplo, os vieses de confirmação, de disponibilidade ou de pular muito rápido para primeira solução que surge ou até mesmo se apegar às soluções que você tem mais afinidade. As melhores soluções – e as mais criativas – vêm sempre no final de um exercício intenso de CURIOSIDADE, de motivação criativa e de diversidade de opiniões e perspectivas. Quando as mentes presentes começam a fazer conexões totalmente inusitadas. Dentro do cérebro acontece uma explosão de conexões vindas de várias partes do cérebro, gerando FLOW. Isto significa INOVAÇÃO! Um momento de AHA!!!!!


Vamos fazer um teste? Veja se estas duas novidades tecnológicas inspiram e aguçam a sua CURIOSIDADE: Faça o teste questionando como estes avanços poderão impactar VOCÊ ou seu NEGÓCIO.


Um “nariz robótico” foi desenvolvido para detectar câncer de próstata depois que cachorros treinados conseguiram detectar com 71% de acerto a doença. A base do estudo foi feita com cachorros como o Florin, um labrador de quatro anos de idade, e o Midas, um Vizsla de sete anos, que identificaram o câncer de próstata na urina das pessoas. Este olfato diferenciado dos cachorros está sendo usado para desenvolver o nariz robótico que amplia a capacidade de teste assertivo do câncer.


Um novo tipo de blockchain otimizado para grande frequência de uso está sendo usado no desenvolvimento de ecossistemas unindo social media, non-fungible tokens e finanças descentralizada — além de manter privacidade e fees transacionais mínimos.

Os dois links para aprofundar o que está sendo discutido estão disponíveis…. estimule a sua CURIOSIDADE!!


Além da curiosidade, tem um outro comportamento que considero imprescindível em líderes do século XXI:


Ser paciente

Em algum momento das nossas vidas já perdemos a paciência. A paciência é a capacidade de gerirmos as nossas energias a partir de um estado de tranquilidade, especialmente quando as coisas não acompanham o ritmo que queremos. A velocidade da mudança pode amplificar a falta de paciência, a irritação e a frustração. Estes sentimentos são pequenos vazamentos de energia que muitas vezes se transformam em déficits de energia. E virar um ESTRESSE!!! Esta energia dilui nossa capacidade de produzir resultados, de criar novas soluções e de INOVAR.


Congestionamentos, computadores lentos, clientes exigentes e dificuldades de comunicação e outros atropelos do dia-a-dia do mundo moderno não irão desaparecer, muito pelo contrário!!! No entanto, a paciência ajuda a harmonizar a nossa capacidade mental e emocional para operar em níveis de consciência que economizam energia. Todos nós sabemos que a impaciência é um convite à frustração, ao discernimento superficial e às escolhas apressadas e erradas. Elas ampliam a incidência de vieses cognitivos que são tanto nocivos na tomada de decisão e na INOVAÇÃO


Quando usamos o nosso coração para educar a nossa mente a ser paciente, entramos em COERÊNCIA CARDÍACA. Neste estado de calma interior maximizamos a capacidade de pensar e criar.


Podemos treinar nossas mentes a perceberem progressivamente que os contratempos mentais e emocionais são drenos de energia física causados ​​pela falta de paciência. No estado de COERÊNCIA CARDÍACA conseguimos regular as nossas emoções evitando a perda de energia e diminuindo o estresse. Desta forma, poderemos instalar a paciência como um dos nossos ativos mais importantes para navegar nestes tempos de mudanças imprevisíveis e em alta velocidade. E atingir níveis cognitivos mais elevados e entrando em FLOW para conseguir maximizar resultados pessoas e profissionais.


Por Solange Mata Machado é diretora-executiva da Imaginar Solutions. Doutora e mestre em inovação e competitividade pela FGV com pós-doutorado (pós-doctor) em neurociência aplicada à tecnologia pela UFMG. Engenheira elétrica com BS pela Universidade Columbia (EUA) e especialização em empreendedorismo e inovação pela Universidade Hitotsubashi (Japão), pela Universidade Renmi da China, pelo Technion – Instituto de Tecnologia de Israel, pela Universidade Yale (EUA), pela Babson College (EUA) e pela Creative Education Foundation (EUA). E contribui com o portal digital Business Leaders e palestrante do CIO Leaders@digital.