Estresse o mal do século XXI


Hoje já se fala que o mal do século XXI é o ESTRESSE. As mudanças ambientais cada vez mais aceleradas, as incertezas decorrentes da mudança no mercado e no ambiente de trabalho, a pressão por resultados que não têm acontecido, e agora com o COVID-19 os indicadores de estresse só crescem.

O LinkedIn fez uma pesquisa em 2019, e  revelou que quase metade dos brasileiros entrevistados sofre atualmente com  stress no ambiente de trabalho. A pesquisa foi feita com mais de 2,8 mil trabalhadores do mundo inteiro. O Brasil inclusive, atingiu o mesmo percentual  que o nível global, junto de Alemanha e Austrália (49%). A Espanha foi o país com maior nível índice registrado, com 57% dos respondentes. Já o Japão foi o menor, com 38%.

A compilação dos efeitos do estresse feita pelo Instituto HeartMath (EUA)  no mercado americano mostrou algumas informações alarmantes:

  1. 60 a 80% das visitas feitas aos médicos nos EUA são relativas ao estresse, porém somente 3% dos pacientes recebem as orientações do impacto do estresse.

Alarmante saber que todos os sistemas fisiológicos, emocionais e mentais do nosso corpo são impactados pelo estresse. O sistema nervoso está ligado com cada tecido do corpo e se o sistema nervoso está sofrendo o impacto do estresse, então tecido sofre o mesmo impacto. Sem contar com o impacto na saúde mental que envolve, ansiedade, depressão, demência, Parkinson, desordens bipolares, Alzheimer, esquizofrenia, e muitas outras.

As pesquisas realizadas pelo Instituto HeartMath têm trazido informações e metodologias importantes para o controle do estresse e o aprendizado da auto-regulação emocional. Quando os sistema nervoso autônomo está sendo acelerado pelo sistema simpático  estamos em INCOERÊNCIA cardíaca. Neste estado, nos sentimos confusos, ansiosos, irritados e com dificuldade de tomar decisões. Por outro lado, quando balanceamos o nosso sistema nervoso ativando o parassimpático, entramos em COERÊNCIA cardíaca. Nestes estados sentimos mais seguros, mais confiantes e com plena capacidade de tomar decisões por mais difíceis que ela possa parecer.

As pesquisas científicas já comprovaram que as emoções têm uma enorme impacto nas funções cognitivas. Atuando nos níveis emocionais é a forma mais eficaz de fazer mudanças nos processos e padrões mentais.

A minha pesquisa em 2020 tem como objetivo avaliar o impacto do nível de ESTRESSE no resultado da INOVAÇÃO. Em parceria com o Instituto HeartMath , os participantes avaliam seu nível de estresse no começo e no início do programa. O grupo de pesquisa na 1a intervenção é capacitado com práticas de COERÊNCIA que serão praticadas durante 6 semanas. Duas empresas já participaram e os resultados foram surpreendentes. Reduzir o nível de estresse aumentou a capacidade incremental de inovação para a capacidade transformacional.


Por Solange Mata Machado é diretora-executiva da Imaginar Solutions. Doutora e mestre em inovação e competitividade pela FGV com pós-doutorado (pós-doc) em neurociência aplicada à tecnologia pela UFMG. Engenheira elétrica com BS pela Universidade Columbia (EUA) e especialização em empreendedorismo e inovação pela Universidade Hitotsubashi (Japão), pela Universidade Renmi da China, pelo Technion – Instituto de Tecnologia de Israel, pela Universidade Yale (EUA), pela Babson College (EUA) e pela Creative Education Foundation (EUA). Contribui com o portal digital Business Leaders e é palestrante do Business Leaders Fórum