DataCrazy sai de créditos de US$ 10 mil do Google para contrato de US$ 1,5 milhão e chega a 4 mil clientes
Startup brasileira cresceu sem venture capital, passou de 330 para 4 mil clientes em pouco mais de um ano e elevou de 850 mil para 10,3 milhões o volume de mensagens processadas diariamente; novo contrato prevê consumo de Google Cloud e inteligência artificial pelos próximos três anos;

O que começou com US$ 10 mil em créditos do Google for Startups evoluiu para um contrato de US$ 1,5 milhão para consumo de Google Cloud e recursos de inteligência artificial pelos próximos três anos. A mudança marca uma nova etapa para a DataCrazy, startup brasileira de CRM e automação de vendas que, no mesmo período, passou de 330 para 4 mil clientes ativos, elevou de aproximadamente 850 mil para 10,3 milhões o número de mensagens processadas diariamente e acumulou R$ 12,36 milhões em faturamento até setembro de 2026. A empresa projeta fechar 2026 com R$ 25 milhões de faturamento.
A nova fase acontece após um período em que a DataCrazy utilizou créditos do Google for Startups para reduzir os custos de infraestrutura enquanto ampliava sua operação. Os créditos iniciais, de US$ 10 mil, foram seguidos por uma segunda rodada de US$ 250 mil, algo que, segundo a DataCrazy, até então não havia ocorrido com uma startup bootstrap. Agora, com previsão de encerramento dos créditos em outubro de 2026, a empresa passa a assumir o custo da infraestrutura contratada por meio do novo acordo de US$ 1,5 milhão.
A partir dessa nova etapa, a DataCrazy mantém o acesso às tecnologias do Google e ao suporte técnico oferecido pela companhia. Segundo a DataCrazy, engenheiros do Google Brasil participam de discussões sobre otimização e uso dos recursos de cloud e inteligência artificial.
“Até aqui, fomos financiados pelos créditos e conseguimos crescer sem esse custo direto. Agora temos autonomia para pagar pela infraestrutura e continuar crescendo. É uma mudança de momento da empresa”, reflete Andreone Ribeiro, fundador e CEO da DataCrazy.
De um contato em evento a uma relação comercial - A relação com o Google começou em uma participação da DataCrazy no Empreende Brasil. Na época, a empresa ainda utilizava a Oracle Cloud e estava chegando ao fim de seus créditos, sem previsão de uma nova rodada. Um integrante da equipe da DataCrazy passou pelo estande do Google e, depois de uma conversa sobre a plataforma, a empresa foi convidada a conhecer o Google for Startups.
O contato não terminou no evento. A relação continuou por meio de encontros no Cubo Itaú, com trocas sobre tecnologia, infraestrutura e crescimento. A empresa apresentou referências de sua operação e contou com uma carta da Always Fit como endosso de sua trajetória.
Enquanto a relação avançava, os indicadores da DataCrazy também mudavam. Entre maio de 2025 e setembro de 2026, a base passou de 330 para 4 mil clientes ativos, enquanto o processamento diário aumentou de aproximadamente 850 mil para 10,3 milhões de mensagens.
No mesmo período, a empresa saiu de R$ 1,94 milhão de faturamento em 2025 para R$ 12,36 milhões acumulados até 13 de setembro de 2026.
“Não foi simplesmente conhecer o Google em um evento. O relacionamento continuou porque fomos mostrando resultado. Eles acreditaram na nossa ferramenta, e nós fomos construindo essa relação, apresentando o crescimento e mostrando o que estávamos fazendo”, afirma Andreone.
Crescimento sem venture capital - A expansão aconteceu sem investimento de fundos de venture capital. Desde o início, o fundador decidiu não abrir participação da empresa e manteve a operação com recursos próprios.
“Não queríamos ceder porcentagem da empresa. Tínhamos como manter a empresa rodando. O desafio era construir uma empresa sólida, com os indicadores bem definidos e crescimento consistente”, diz o fundador.
Esse modelo também fez parte da relação com o Google. À medida que a DataCrazy apresentava crescimento e indicadores de operação, a relação avançava.
Networking como estratégia de crescimento - A experiência com o Google reforçou uma estratégia que Andreone pretende manter conforme a DataCrazy avança: construir relacionamentos com pessoas que já passaram pelos desafios que a empresa começa a enfrentar.
Para ele, networking não significa apenas criar contatos, mas manter relações ativas, mostrar resultados e transformar as conversas em aprendizado e oportunidades concretas. “Não quero mentoria. Quero conversar, trocar ideias, ouvir experiências, entender decisões e aprender com quem já passou pelas etapas que estamos começando a viver.”
A trajetória da DataCrazy começou com uma ideia apresentada em um estande, passou por conversas com potenciais clientes, ganhou escala com os primeiros créditos de cloud e evoluiu junto com a operação da empresa. Hoje, a startup que começou com 330 clientes e R$ 1,94 milhão de faturamento tem 4 mil clientes, R$ 12,36 milhões acumulados em 2026 e um contrato de US$ 1,5 milhão com o Google para os próximos três anos.




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