Quem ganha e quem perde?

Embora a luz no final do túnel da pandemia do CV19 ainda seja incerta alguns fatos são inexoráveis. Teremos vencedores e perdedores na corrida econômica. Resta saber quem serão eles!


Alguns setores já apresentam evidências de crescimento. Principalmente aqueles ajudam as  centenas de milhões de pessoas, isoladas socialmente, a se adaptarem a um novo conceito de vida.  Trabalhar e se comunicar de maneiras que antes não se considerava possível, estão forçando as pessoas a a se tornarem mais ágeis com a tecnologia por não terem outra opção.

Segundo Nassim Taleb ser antifrágil é oposto de frágil, é algo que melhora quando está diante de uma situação inesperada. São coisas que se beneficiam com o caos. O antifrágil cria a consciência da existência de fatores externos e inesperados (muitas vezes é difícil lembrar deles na hora de se planejar) e, diante desses fatores, encara a aleatoriedade com naturalidade e como fator benéfico, sempre buscando aperfeiçoamento. O gráfico feito pela Dcode EFC analysis dá indicações de setores antifrágeis...

Como MITIGAR as perdas dos perdedores e definir estratégias para CAPITALIZAR as oportunidades dos potenciais ganhadores? Em qual parte do gráfico o seu setor/empresa está? Você já tem um plano traçado? Está mobilizando o seu time para te ajudar a se reinventar agilmente e inovadoramente? Qual é o seu nível de adaptabilidade ou de antifragilidade?


Setor de saúde e alimentação serão os grandes ganhadores da pandemia. O que não garante que em um próximo CISNE NEGRO (eventos inesperados que criam fragilidade)  eles continuarão a ganhar…

Grandes varejistas on-line estão assistindo um aumento nas encomendas, à medida que os consumidores que se isolam ou trabalham em casa recorrem a grandes redes de distribuição e entrega para fornecer itens essenciais diariamente. Na semana passada, as ações do Walmart subiram 25% em relação à mínima de nove meses na segunda-feira. A Amazon também se recuperou.

Empresas de entretenimento online como a Netflix e o Youtube cresceram a demanda por filmes para assistir em casa para dar conta do recado, ambas as empresas reduziram a qualidade de seu streaming na Europa – o novo epicentro do vírus – para aliviar a pressão na internet. A atividade mundial de streaming aumentou 20% nos finais de semana de 14 e 15 de março, de acordo com a Bloomberg News. As cadeias tradicionais de cinema, no entanto, estão enfrentando uma queda sem precedentes na demanda. Alguns fecharam suas portas temporariamente para ajudar a conter a propagação do vírus.

Empresas de transporte aéreos– O setor de companhias aéreas foi duramente atingido pelas regras de quarentena e pelo fechamento de fronteiras, com a companhia aérea Flybe do Reino Unido colidindo com a falência e especialistas prevendo que outras empresas o sigam. A Associação Internacional de Transporte Aéreo disse quinta-feira que serão necessários até US $ 200 bilhões para resgatar a indústria global. As companhias aéreas dos EUA buscaram mais de US $ 50 bilhões em assistência governamental nos últimos dias, com um alto funcionário dos EUA dizendo que o surto representa uma ameaça maior para a indústria do que os ataques do 11 de setembro. Por outro lado, as empresas de fretamento de jato particular estão vendo a demanda subir.

Fitness online – Como muitas academias fecham suas portas, os amantes do fitness estão se voltando para aulas on-line e exercícios em casa. As ações da fabricante de equipamentos de ginástica doméstica dos EUA, Peloton, subiram quando os investidores apostaram na crescente demanda por suas bicicletas estacionárias e participações em sessões de treino on-line.

Plataformas de comunicação e educação – Com mais e mais pessoas trabalhando e estudando em casa para limitar a propagação do vírus, a demanda por tecnologia que permita reuniões, bate-papos, treinamentos e colaborações on-line aumentou. Empresas como a Zoom viram seu valor das ações subir, disse Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies, referindo-se ao aplicativo de teleconferência. Ao mesmo tempo, as reuniões do mundo real, de eventos esportivos a conferências de negócios, foram adiadas ou canceladas.


Por Solange Mata Machado é diretora-executiva da Imaginar Solutions. Doutora e mestre em inovação e competitividade pela FGV com pós-doutorado (pós-doc) em neurociência aplicada à tecnologia pela UFMG. Engenheira elétrica com BS pela Universidade Columbia (EUA) e especialização em empreendedorismo e inovação pela Universidade Hitotsubashi (Japão), pela Universidade Renmi da China, pelo Technion – Instituto de Tecnologia de Israel, pela Universidade Yale (EUA), pela Babson College (EUA) e pela Creative Education Foundation (EUA). Contribui com o portal digital Business Leaders e é palestrante do Business Leaders Fórum