Adoção desordenada de IA amplia riscos operacionais nas empresas
- Redação

- há 23 horas
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Especialista da Runtalent orienta como estruturar o uso da tecnologia e garantir a segurança de dados sensíveis

A inteligência artificial (IA) está cada dia mais integrada na rotina das empresas. A tecnologia é usada desde a automação de processos como recrutamento e seleção até a geração de resumos de reuniões em plataformas de videoconferência, recomendações em sistema de CRM e apoio à redação de e-mails por ferramentas como o ChatGPT. Nesse avanço acelerado da transformação digital, porém, muitas organizações deixam a gestão de riscos em segundo plano. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, 87% das empresas no país ainda não possuem políticas de Governança em IA.
“O principal desafio hoje não é a adoção da inteligência artificial, mas a ausência de controles sobre como essas ferramentas estão sendo usadas dentro das organizações. Sem governança, dados sensíveis podem circular fora do ambiente corporativo, ampliando riscos de segurança e conformidade”, afirma Rogério Rutledge, DPO da Runtalent, empresa de soluções digitais.
Além dos riscos à privacidade e à segurança da informação, o uso desestruturado da IA pode comprometer decisões operacionais e ampliar a exposição jurídica das empresas. “Com o avanço das regulações sobre proteção de dados e inteligência artificial, organizações que não estruturarem desde já seus modelos de governança estarão mais expostas a sanções legais e danos reputacionais”, acrescenta.
Para mitigar esses riscos, o especialista defende uma abordagem estruturada, baseada em visibilidade, controle e capacitação interna. “Não é possível governar o que não se enxerga. Ter um inventário centralizado das ferramentas de IA em uso é o primeiro passo para qualquer estratégia responsável”, diz Rutledge. Outro pilar a ser considerado é o investimento em cultura organizacional. “De nada adianta ter políticas se as equipes não entendem por que elas existem. Treinamento, comunicação clara e canais de orientação são fundamentais para transformar governança em prática cotidiana”.
O executivo destaca que, para estruturar governança em IA, não são necessários projetos longos ou complexos. “Em 90 dias, já é possível sair do zero. O caminho começa com a formação de um comitê e o mapeamento das ferramentas em uso, avança com a criação de uma política clara e termina com comunicação e treinamento das lideranças. O mais importante é dar o primeiro passo e tratar a governança como parte da estratégia de negócio.”
Boas práticas para uma governança de IA eficaz, de acordo com o especialista da Runtalent:
Manter um inventário centralizado das ferramentas e sistemas de IA em uso;
Definir políticas formais sobre ferramentas autorizadas e uso de dados;
Criar comitês multidisciplinares para avaliação de riscos e casos de uso;
Classificar aplicações de IA conforme impacto operacional, jurídico e reputacional;
Promover treinamentos e comunicação contínua sobre uso responsável.



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